Category Archives: life

.respira

respiro fundo

e o coração aperta

sufoca
 o peito

respiro fundo

solto o medo

.desembarque

“Próxima estação: Consolação. Desembarque pelo esquerdo do trem”

desci correndo do trem
e parei
no meio das pessoas
da escada rolante

começou a tocar aquela música
que me lembra você

dei um sorriso
pedi desculpas
desembarquei
na sua lembrança

.ecodopplercardiograma

anotomia cardiaca: normal
dinamica valvar: normal
pericardio: normal

ela falou que era um ultrassom do coração.

me pergunto se ela, como a única pessoa que viu meu coração por dentro, conseguiu entender todo o sofrimento que tinha ali. na minha cabeça o sofrimento, a dor e a angústia apareciam como pequenos pontos vermelhos.

o médico chamou meu nome.

disse que começamos com boas notícias: tudo estava bem.

nem tudo, pensei.

talvez os pontos estejam mais profundos.

.do dia

’cause my bright is too slight to hold back all my dark

.bem vinda de volta

mas que merda é assumir que eu não dei conta.

 

que eu fiz um monte de escolhas erradas.

que eu baguncei tudo e agora não consigo colocar as coisas de volta no lugar. colocar a minha cabeça de volta no lugar.

que merda é sentir o controle indo embora, a capacidade e o emocional.

no fundo meu medo era um aviso de que eu não daria conta. de que era pesado demais.

que merda que eu me perdi de novo.

que merda é assumir que no fundo você estava certo: eu não consigo segurar a minha onda sozinha.

 

bem vinda de volta, querida. puxa uma cadeira e senta aqui do lado. o ano vai ser longo e parece que vai faltar luz.

.desculpa, segunda

é segunda e eu acordo bem.

durmo um pouco mais do que devia, brinco com os gatos  e preparo a comida deles.
também preparo um pão na chapa é um café. queria tomar menos café esse ano, mas penso que as coisas já estão bem difíceis pra deixar o meu café de lado. finalmente aprendi a fazer café.
tomo um banho e penso na roupa que vou usar. tá nublado lá fora, mas duvido que continue assim.
sento na mesa, olho pra janela e me sinto sufocada. aquele nó na garganta e o desespero da rotina. o ar para de entrar e dá lugar para a tristeza.
desculpa, segunda. não é você, sou eu. é a minha vida e a minha rotina. você é linda. não acredita em nada disso que falam sobre você. no fundo são apenas as pessoas e o que elas não conseguem suportar.

.chove

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tá tudo muito foda.

“foda é coisa boa”, diria um amigo.

tá tudo muito louco.

eu tento avisar pra vida que a tempestade que acontece lá fora não é maior do que essa que acontece dentro de mim. e parece que eu tô nessa tempestade interna, sem guarda-chuva e com os sapatos errados.

deixo a tempestade me molhar. eu sou pequena e ela é grande.

uma hora a gente cansa de lutar.

.conversas

digitei seu nome na barra de search do chat.
conversamos sobre aquele seu comentário e tenho certeza que vou rir.
até porque o riso já aparece quando vejo a sua foto.
conversamos sobre aquele dia e de como fui boba e tímida. e como te acho incrível e tão longe de mim.
daquela mensagem na madrugada com tanta e nenhuma intimidade. com tanta e nenhuma intenção.
digitei seu nome na barra de search do chat.
não conversamos. não te conto sobre aquele dia. não tenho a esperança de nenhuma intenção.
não conversamos, mas sempre imagino como seria abrir aquela janela.

.madrugada

produtividade da insônia.

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4

.vai dar tudo certo

deitada na cama eu pensava sobre o fato de não conseguir te esquecer. estava escutando aquela música que você me mandou e que falava sobre não se preocupar ou como tudo ia dar certo. acho que tudo ainda vai dar certo. comigo. sem você. na real, não é que eu não consiga te esquecer, acho que não consigo esquecer a ideia do “sem você”.

tenho saudades das nossas conversas, daquelas que não tivemos, dos lugares que não fomos, dos shows e bares que não frequentamos. percebi que não consigo desapegar da ideia de como era pra ser. ia ser tão legal, tinha tudo para ser uma história incrível. que pena que não foi, que pena que não aconteceu. e que desperdício, afinal.

mas vai ficar tudo bem. um dia a gente acorda e percebe que ainda tem muitas páginas em branco naquele caderno, esperando uma inspiração virar a esquina, entrar no metrô ou quem sabe aparecer em algum bate-papo aleatório. nesse dia começo a desenhar tudo de novo.

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